Na cama, à noite, enquanto penso nos meus muitos pecados e nos meus defeitos exagerados, fico tão confusa pela quantidade de coisas que tenho que analisar que não sei se rio ou se choro, dependendo do meu humor. Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser. Minha nossa, agora estou confundindo você também."
- O Diário de Anne Frank.
Ao mesmo tempo que tenho vontade de te contar sobre os filmes que assisto, eu tenho vontade de chorar e desistir de tudo. Pois quem já aguentou até aqui, na certa, já está tão cansado que nem se aguenta em pé. E é assim que estou: meio-quebrada, com uma porrada de trabalhos por fazer e uma ansiedade sobre como terei de ser daqui para frente. Cheia de obrigações, sonhos que não são meus mas que tenho de satisfazer, realizar, essas coisas que me impuseram e que eu não consigo recusar. Ao mesmo tempo que gostaria de te contar sobre os meus dias e sobre como me sinto só convivendo em meio de muitos, em como me sinto deslocada a cada dia que passa, porque não me encaixo nos parâmetros, eu não cumpro as regras, eu peco e sou a menor, a pequena, o “x”; eu tenho vontade de me calar, de me enfiar debaixo do travesseiro, ouvir Pink Floyd e me desligar do mundo. Ao mesmo tempo que gostaria de te abraçar e dizer que hoje aguentei o choro, e que minhas pernas doeram de tanto correr do mundo; eu tenho vontade de fugir e nunca mais me lembrar de como a mágoa ainda está aqui, pedindo para ser escrita e, assim, aliviada. Ao mesmo tempo que quero te dizer como a dor ainda permanece aqui, eu quero deixar tudo isso e nunca mais lembrar. Porque lembrar é como engolir, novamente, toda decepção que tive. Ao mesmo tempo que há amor, há a revolta, há a tristeza, há o caos, e há a necessidade de se esquecer. (necessidades, obrigações, desamores, choro à noite, solidão… tudo, tudo o que eu não queria ter e eu tenho.)

