quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A verdade é amor



"A verdade é amor — escrevi um dia. Porque toda a relação com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na infância e não mais se pôde esquecer. É esse equilíbrio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho estão certos na composição de um quadro. É o mesmo equilíbrio indizível que ao filósofo impõe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia é um excesso da arte. Ela acrescenta em razões ou explicações o que lhe impôs esse equilíbrio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equilíbrio interior, gerado no impensável ou impensado de nós, é um sentimento estético, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. razão ou mesmo em inteligência. Porque só se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se está «feito um para o outro». Só entra em harmonia connosco o que o nosso equilíbrio consente. E só o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros — a política, por exemplo — se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no ódio, que é a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade."

Vergílio Ferreira, in “Pensar”

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Medo



-   Talvez seja medo. Medo de não ser o suficiente, de não ser o bastante. Medo do futuro incerto, das promessas que talvez não se cumpram. Medo de te sentir distante e precisar contentar-me em ficar observando-te só de longe. Medo das nossas músicas não terem mais efeito no teu coração como da primeira vez que as ouvimos e passaste a lembrares-te de mim. Medo de ir dormir sem ouvir a tua voz do outro lado da linha dizendo o quanto me ama. Medo dos nossos sonhos se desgastarem e deixarem de se completar com o tempo. Medo do nosso amor ficar pequenininho e num dia qualquer se acabar de vez. Medo do meu coração transbordar tanto de amor e acabar se afogando. Medo de que o brilho que os teus olhos refletem ao me ver, se apague. É medo! Digo e repito, de trás para frente, de frente para trás, é medo. Medo de te perder e em seguida me perder também.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sorri*


-    Às vezes as pessoas que amamos magoam-nos, e não há nada que possamos fazer senão continuar a nossa jornada com o nosso coração um pouco ferido. Às vezes falta-nos esperança, mas alguém aparece para nos confortar. Às vezes o amor magoa-nos profundamente, e vamos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa. Às vezes perdemos a nossa fé, então descobrimos que precisamos de acreditar, tanto quanto precisamos de respirar, é nossa razão de existir. Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra na nossa vida e torna-se o nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta no nosso coração pela falta de uma única pessoa. Às vezes a dor faz-nos chorar, faz-nos sofrer, faz-nos querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um por do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo no nosso rosto, é a força da natureza chamando-nos para a vida.
    Então sorri... Sorri muito. Sorri de um jeito envergonhado, depois de comentarem como tu cresceste ou como estás bonita. Sorri de leve, para mascarar a dor que  sentes no peito. Sorri como uma arma, para todos aqueles que tentaram derrubar-te. Sorri numa explusão de alegria, quando aquela pessoa que tu gostas também te ama. Sorri de surpresa quando “aquela pessoa” te pedir em namoro. Sorri quando receberes um pedido de casamento, ou pedires em casamento alguém. Põe um enorme sorriso no teu rosto quando tiveres filhos, uma casa aconchegante, e quem amas por perto. A vida pode ser muito difícil, mas abre um sorriso no teu rosto. A vida é uma só, e é agora.


Bom fim de semana docinhos